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"Durma com ideias, acorde com atitude!"

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD - 2° TRIMESTRE/2011


A Lição Bíblica da CPAD - 2º Trimestre/2011 terá como tema geral "Movimento Pentecostal: As doutrinas da nossa fé". O comentarista será o pastor Elienai Cabral.

Segue abaixo os temas semanais:

1. Quem é o Espírito Santo?
2. Nomes e símbolos do Espírito Santo
3. O que é o Batismo com o Espírito Santo?
4. Espírito Santo agente capacitador da obra de Deus
5. A importância dos dons espirituais
6. Dons espirituais que manifetam a sabedoria de Deus
7. Os dons de poder
8. O genuíno culto pentecostal
9. A pureza do movimento pentecostal
10. Assembleia de Deus, cem anos de Pentecoste
11. Uma igreja autenticamente Pentecostal
12. Conservando a pureza da Doutrina Pentecostal
13. Aviva ó Senhor a tua obra

O EVANGELHO PROPAGA-SE ENTRE OS GENTIOS


No Antigo Testamento o termo "gentio" origina-se do hebraicogoyim, que significa "nações" ou "estrangeiros". Encontramos esse termo em passagens como: Gn 10:5; Jz 4:3; Is 11:10; Jr 4:7; Lm 2:9; Ez 4:13; Os 8:8, etc.

No Novo Testamento, os substantivos gregos ethnos e hellensão traduzidos por "gentios":

- ethnos: esse termo transmite a ideia de "multidão de pessoas da mesma natureza ou gênero; nação, povo". Conforme Vine (2003, p. 673), é utilizado no singular, acerca dos judeus, quando então é traduzido por "nação" (Lc 7:5; 23:2; Jo 11:48, 50-52); no plural, acerca de nações não judaicas (Mt 4:15; Rm 3:29; 11:11; 15:10; Gl 2:8); circunstanciamente, é empregado também para ser referir aos convertidos gentios em distinção dos judeus (Rm 11:13; 16:4; Gl 2:12, 14; Ef 3:1);

- hellen: originalmente foi utilizado acerca dos primeiros descendentes da Heliéia Tessália; mais tarde passou a indicar os gregos em oposição aos bárbaros (Rm 1:14). É usado também em relação aos gentios que falavam o idioma grego (Gl 2:3; 3:28).

ASPECTOS DO PLANO DE DEUS PARA OS GENTIOS REVELADO NO ANTIGO TESTAMENTO

A palavra "gentios" ou "nações", foi primeiramente aplicada sem distinção para as divisões entre os descendentes de Sem, Cam e Jafé (Gn 10:5, 20, 31).

Com a contínua corrupção e arrogância das nações (Gn 11:1-9), mesmo após a disciplina através do dilúvio, fez com que o Senhor escolhesse Abraão, para através de um grandioso e maravilhoso plano dar às nações uma nova oportunidade de serem alcançadas com o seu amor, sua graça e perdão:

Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.(Gn 12.1-3)

Como bem escreveu Pate (1987, p. 8), a promessa de Deus a Abraão deu início a um novo capítulo na história da humanidade. Deus manteve o seu plano para a redenção dos indivíduos e das nações, apenas mudando de método. Ele se identificaria de maneira especial com o povo de uma nação específica (Israel), promovendo o crescimento desse povo e nação, determinando o seus sistema social e político, fazendo-os prosperar e livrando-os dos seus inimigos:

A promessa feita a Abraão: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra", é uma referência direta à vinda de Cristo, o Messias. Jesus Cristo, Filho de Davi, filho de Abraão, é o único por meio de quem todas as nações da terra podem ser abençoadas. De modo que, mesmo ao escolher a nação de Israel, Deus estava decidido a alcançar, levantar, elevar e redimir todos os povos da terra. (ibidem)

Bosch (2002, p. 37), interpreta os fatos acima citados, afirmando que:

[...] à medida que a compaixão de Javé se estende a Israel e além dele, torna-se gradativamente claro que, em última análise, Deus está tão preocupado com as nações quanto Israel. Com base em sua fé, Israel pode tirar duas conclusões fundamentais: visto que o Deus verdadeiro se deu a conhecer a Israel, ele só pode ser encontrado em Israel; e visto que o Deus de Israel é o único Deus verdadeiro, ele é também o Deus do mundo inteiro. A primeira conclusão enfatiza o isolamento e a exclusão do resto da humanidade; a segunda sugere uma abertura básica e a possibilidade de dirigir-se às nações (cf. Labuschagne, 1975, p. 9).

Ainda segundo Bosch (ibidem), no Antigo Testamento alguns aspectos positivos e escatológicos do plano de Deus para as nações podem ser vislumbrados. São eles:

- A espera e confiança das nações no Senhor (Is 51:5);
- A glória do Senhor será revelada a todas as nações (Is 40:5);
- Todas as extremidades da terra são conclamadas a olha para o Senhor e ser salvas (Is 45:22);
- Seu Servo será luz para os gentios (Is 42:6; 49:6);
- Uma estrada é construída do Egito e da Assíria até Jerusalém (Is 19:23);
- As nações encorajam umas e outras a subir a montanha do Senhor (Is 2:5) e levam presentes valiosos consigo (Is 8:7);
- O Egito será abençoado como povo de Deus, a Assíria como obra de suas mãos e Israel como a sua herança (Is 19:25);
- A expressão visível dessa reconciliação global será a celebração do banquete messiânico no monte de Deus, onde as nações contemplarão Deus com a face descoberta e a morte será tragada para sempre (Is 25:6-8).

Na medida que passamos do Antigo para o Novo Testamento, o plano de Deus para a salvação dos gentios fica mais claro e evidente.

ASPECTOS DO PLANO DE DEUS PARA OS GENTIOS REVELADO NO NOVO TESTAMENTO

No Evangelho de Mateus, mas do que em qualquer outro, as atividades de Jesus entre os gentios é enfatizada (HAHN, 1965, p. 103-11 apud BOSCH, 2002, p. 85). Num primeiro momento, os relatos parecem enfatizar o ministério de Jesus para com "as ovelhas perdidas da casa de Israel":

A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; (Mt 10:5-6)

Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. (Mt 15.21-26)

Nesse contexto, não há indícios de uma iniciativa missionária intencional de Jesus em relação aos gentios (BOSCH, ibdem, p. 87).

Acontece, que à medida que Mateus avança em sua narrativa, passa a relatar a participação dos gentios na vida e ministério de Jesus, e isso de forma significativa, ao citar as quatro mulheres não-israelitas em sua genealogia (cap. 1); a visita dos magos (2:1-12); no episódio que envolve o centurião de Cafarnaum declara a participação dos gentios à mesa no reino (8:5-13); no caso da mulher cananéia não omite o elogio que o Senhor lhe faz e a resposta ao seu pedido (15: 21-28) e a reação do centurião romano diante da crucificação (M7 27.54).

Mateus também trata de forma aberta sobre a pregação do Evangelho a todas as nações e povos (gr. panta ta ethne):

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. (Mt 24:14)

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (Mt 28:19)

É após a sua morte e ressurreição, que a comissão de pregar Evangelho com ousadia e sem reservas é dada claramente. No Evangelho de Marcos isso também é factual:

E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16:15)

Marcos também destaca a sua visita à província dos gadarenos, e a maneira como libertou um homem possuído por espírito imundo, que se tornou uma testemunha do seu poder em Decápolis (Mc 5:1-20).

No Evangelho de Lucas a missão ao gentios está implícita no episódio de Nazaré (ibdem, p. 118):

E prosseguiu: De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro. Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se. (Lc 4.24-30)

Jesus, comunicou entre outras coisas, que Deus não era apenas o Deus de Israel, mas também, e de igual modo, o Deus dos gentios (ibdem). Na "Grande Comissão" de Lucas, que na realidade é apresentada em forma de um fato e promessa, e não de mandamento, a pregação a todas as nações é também citada:

[...] e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. (Lc 24:46-47)

Em Atos dos Apóstolos a missão aos gentios é novamente citada por Lucas, seguida dos episódios que desencadeiam de uma vez por todas a inclusão da mesma na "agenda" missionária:

[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. (At 1:8)

Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? (At 10:44-47)

Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. (Atos 11:20-21)

Mas os judeus, vendo as multidões, tomaram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios. (At 13:45-46)

À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho. (At 16:9-10)

Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que ouvissem a palavra do Senhor,todos os habitantes da Ásia tanto judeus como gregos. (At 19:10)

[...] jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregoso arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]. (At 20:20-21)

Nas epístolas, a mesma ênfase é dada, como por exemplo nos textos abaixo:

Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios. (Rm 1:13)

Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. [...] Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. (Gl 3:8, 28)

No livro de Apocalipse (5:8-10), os gentios são contemplados no cântico dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro anciãos:

e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e naçãoe para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

Estão presentes entre aqueles que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro:

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; [...] Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7:9, 14-17)

Diante de tudo isso, como bem escreveu Pate (ibdem, p. 7), o amor de Deus não se limita a uma raça, nação ou grupo cultural. Ele ama todos os povos. O amor de Deus ultrapassa todas as fronteiras, quer sejam geopolíticas, culturais, raciais ou linguísticas.

É fundamentada neste amor de Deus, manifesto a todos os povos, que a igreja inteira deve levar o evangelho inteiro para o mundo inteiro (BOSCH, ibdem, p. 28).